sexta-feira, outubro 09, 2009

Morre Irving Penn, aos 92 anos


O fotógrafo norte- americano Irving Penn, um dos maiores nomes da história da fotografia, morreu no passado, dia 07 de Outubro em Nova York, aos 92 anos. A causa da morte não foi revelada. Penn é autor de retratos definitivos de algumas das maiores personalidades do século 20, como Pablo Picasso, Martha Graham, Igor Stravinsky, Marlene Dietrich, Tennessee Williams e Miles Davis. Além dos retratos de grandes nomes da arte, Penn também fez importantes trabalhos na área de moda (publicou em revistas como a Vogue e a Harper’s Bazaar) e experimentos em naturezas mortas. Seu período mais produtivo foi nas décadas de 1940 e 1950. Nessa época, revolucionou a fotografia de moda ao colocar as modelos diante de uma simples parede de cor discreta e uniforme. Mais do que isso, ousou dispensar os grandes aparatos de iluminação da clássica fotografia de moda (e também das imagens das estrelas de Hollywood), revalorizando a luz natural e a sensualidade dos seus efeitos na pele humana.

A paixão pelo concreto — dos corpos e de todas as matérias — levou-o a praticar regularmente a natureza morta, quase sempre combinando, em arranjos hiper-elaborados, materiais "mortos" (peças de metal, máquinas, etc.) com frutos e elementos vegetais. Para a Vogue, assinou espantosas fotografias de entidades da vida prática — legumes e diversos condimentos gastronómicos, bâtons, caixas de cremes de maquillage, etc. — que tratava como verdadeiras e monumentais peças escultóricas.
Por certo a partir de tais pressupostos, a partir do começo da década de 70 começou a recolher nas ruas pontas de cigarros para as fotografar no seu estúdio, apresentando-as depois em retratos gigantes, desafiando todas as proporções humanas — essa série constitui uma das mais eloquentes expressões de uma atitude eminentemente pop em que a reconversão formal dos detritos celebra uma visão funcional e descomplexada da arte, ao mesmo tempo valorizando o seu papel político de intervenção contra os efeitos correntes do consumo.


Em boa verdade, nos seus muitos gestos revolucionários, Penn foi um primitivo que acreditou na fotografia como uma tarefa ciclópica, não de "reprodução" do mundo, antes de metódico confronto com o desejo que os objectos e os seres inscrevem nos nossos olhos.

quarta-feira, outubro 07, 2009

TAROUCA - O VALE ENCANTADO

A Origem lendária do VALE ENCANTADO… (a acção remonta aos finais do Sec. XIII pelos meses. sete, oito ou nove, não posso precisar (Calendário Juliano).
Consta que um certo monge, da Ordem de Cister, de seu nome: Lalim de Bigorne, frade residente em S. João, homem afável e palavroso, muito alto, largo de ventre, já entradote e muito dado aos prazeres mundanos. As liturgias monacais obrigatórias eram cada vez mais uma maçada e um suplício, nem mesmo “O alívio”, por ser pequeno e baixo lhe trazia conforto às pesadas cadeiras e aos jarretes cada vez mais incomodativos, no entanto o seu pensamento vagueava, constara -lhe que entrara uma nova noviça, Isabel de Britiande no Convento de Salzedas.


Convento de Salzedas



Convento de Salzedas



Pensado e feito, por todos os motivos e mais este, ali faria mais uma incursão, pela calada da noite, puro vício…
- Na madrugada seguinte ao escapulir-se, à saída de Salzedas encontra-se com a caravana de Josué Mezio “o Almocreve”a caminho de Lamego, como amigos que eram (favores mútuos, só ficava a perder na sua fazenda o pérfido Sr. De Cambres) … o bom frade debaixo das vestes, passava a portagem da Torre e Ponte Murada de Ucanha, ouro perfumes, especiarias e mesmo sedas.


Ponte Murada de Ucanha




Ponte Murada de Ucanha


Como contrapartida, garantia, os manjares e o bom vinho da Tasquinha do Matias do outro lado da ponte.
Após o suculento repasto de balusaque e de 12 canecas emborcadas, uma por cada um dos santos apóstolos, em amena cavaqueira com Josué e um dos guardas, do Sr. De Cambres, à Torre e ponte de Ucanha, sente-se mal, coração a palpitar, calores, frios e a desfalecer…
Transportado e deixado por Josué, no Hospício de Idosos de Tara Ouca (surda), ao cuidado das irmãs, foi-lhe ministrada uma infusão de licor à base baga de sabugueiro,


baga de sabugueiro



o que o reanimou o suficiente para começar a namoriscar com as irmãs, escusado será dizer que do pescoço para cima funcionava tudo muito bem, o problema era do pescoço para baixo…, posto isto e após ter emborcado uma caneca de um vinho com borbulhas e espuma, segredo das irmãs do Hospício, sente-se suficiente bem para retomar o caminho de regresso.
Caminho acima em direcção ao mosteiro, matutando no que lhe acontecera, levanta a vista em direcção aos montes na direcção de Santa a Helena,


Montes de Santa Helena


e estes parecem-lhe os seios da bela Britiante deitada nas nuvens, baixa a vista, concluíra que só poderia ser obra do DEMO, ou ao algum mal entendido com nosso Sr. Jesus Cristo, lembrara-se que não emborcara a 13ª caneca em sua homenagem.
- Na passagem por Outeiro e com os jarretes em ferida resolve mergulhar os pés na Ola do Varosa, um verdadeiro alívio para os pés. Retomando o caminho lá chega e entra no mosteiro, prometendo a construção de uma ermida no alto do monte em homenagem à Santa e não esqueceu o Cristo Rei para manter o DEMO bem longe lá para as suas Terras (Terras do DEMO)


Cristo Rei



© Pacheco,09-Lendas e Narrativas do Portugal Profundo

segunda-feira, setembro 28, 2009

O barco Moliceiro

Os barcos moliceiros são um dos emblemas da Ria de Aveiro.
Em forma de meia-lua têm mastro e leme de grandes dimensões.
A construção dos barcos moliceiros é uma indústria tradicional que apenas existe nesta região, especialmente nos concelhos da Murtosa e Ílhavo. Trata-se de uma profissão que passa de pais para filhos.
O comprimento total é cerca de 15 metros, a largura de boca 2,50 metros.


O barco Moliceiro


Nada se esquece no interior deste pequeno barco. O castelo da proa é coberto e fechado com porta e chave, serve de câmara de tripulantes e paiol de mantimentos. A cobrir as duas primeiras cavernas de água, há um estrado ao mesmo nível do piso da câmara, que tem a função de lareira e onde os tripulantes preparam e comem as refeições. O castelo da ré é preenchido por um espaço, em que se guarda o barril da água, as forcadas e as tamancas e é coberto por uma tampa móvel, que serve de assento ao arrais.


O barco Moliceiro


O seu pequeno calado permite-lhes mover-se nos canais menos fundos, sendo, nessas circunstâncias, movido à vara. Navega em pouca altura de água. O castelo da proa é coberto. Como meios de propulsão usa uma vela, a vara e a sirga.
A vela é geralmente de lona, com a superfície de 24 metros quadrados, içada num mastro de altura aproximada de 8 metros. É assim bastante alto para poder colher vento, em todas as circunstâncias, que por vezes sopra. O meio de propulsão da “vara” é de 4 a 6 metros de comprimento, que firmam no fundo dos canais e empurram a peito, em repetidos percursos, desde a proa até próximo da ré. A “sirga” é um cabo de sisal, ou nylon que se utiliza na passagem dos canais mais estreitos ou junto às margens, sempre que o barco navega contra a corrente ou contra o vento. Uma das extremidades da sirga é amarrada aos golfiões e a outra tem-na o tripulante, que segue a pé pela margem, puxando o barco.
Destinavam-se à colheita e transporte de moliço (vegetação da Ria, utilizada para fertilizar os campos agrícolas), sendo hoje uma atracção turística. Moliço é o nome vulgar para designar, sem distinção de espécies, as plantas que constituem a vegetação submersa da ria, designando-se por apanha do moliço a actividade que se desenrola em seu torno. É de salientar que o termo moliceiro não se refere apenas à embarcação, designando também o seu utilizador.


O barco Moliceiro


Uma das características destas embarcações é a sua riqueza em termos decorativos, quer na proa quer na popa, sendo profusamente utilizados os elementos marinhos e rurais, assim como cenas românticas ou religiosas, sendo ou não tratadas de forma humorística. Os temas vão do popular ao satírico, do religioso ao brejeiro...


O barco Moliceiro



O barco Moliceiro


De igual modo, é característica a presença de uma legenda em cada moliceiro, dizeres de carácter único e cheios de graça, tendo como limite apenas a imaginação do seu autor.


O barco Moliceiro

quinta-feira, setembro 03, 2009

O Sal de Aveiro

Ao observar a imensa planície de água da Ria de Aveiro sobressai o caprichoso ladrilhado composto pelas marinhas de sal, assim como os seus albinos montes.


Marinhas de Sal de Aveiro


Mas esta paisagem deslumbrante resulta do esforço heróico do marnoto aveirense.


Marnoto na amanha da marinhas de sal


A região de Aveiro não tem as de condições climatéricas adequadas a uma fácil e regular evaporação. Por isso o marnoto tem de multiplicar os seus esforços para suprir as deficiências climáticas.
Se é certo que o Sol e o Vento são os grandes geradores do Sal, provocando a evaporação da água salgada enclausurada em recipientes expostos à sua acção no Salgado de Aveiro, também é certo que o sol de Aveiro não é tão forte como o das terras do sul e muitas vezes encontra-se coberto por um manto de nuvens, tendo por isso de ser o marnoto o sublime escultor dos finos cristais.
O factor humano é por isso um elemento primordial que actua na exploração salineira de Aveiro.


marinhas de sal


E as normais chuvas de verão e até o nosso rio Vouga, também não ajudam nada, antes pelo contrário, pois provocam a mistura de água doce nas águas vindas do Mar.
Este trabalho para além de árduo é sazonal, pelo que o marnoto terá de arrancar em quatro ou cinco meses de labuta quotidiana e permanente o pão que há-de comer durante um ano inteiro.
É o engenho e arte do marnoto, que se inicia a preparação da marinha para a gestação do sal, passando pela recolha da água nos canais vizinhos, sua engorda salineira, e toda aquela teia delicada, que nascem e crescem daquelas águas os delicados cristais.
O sal de Aveiro tem os seus pergaminhos, e ostenta uma linhagem que o distingue e o torna preferido devido à delicadeza dos seus cristais, que são mansamente rendidos na terna preocupação de os trazer para a luz do dia sãos e escorreitos. Este pormenor da natalidade e da vivência do sal de Aveiro, intercalado com os épicos contratempos de drama e de glória, põe em evidência toda a grandiosa epopeia do trabalho do marnoto de Aveiro e o singular merecimento do nosso sal.


marinhas de sal


A faina salineira de Aveiro corre o risco de se perder, se não for compreendida, nem amparada a sua índole muito característica e que outra não pode ser no caprichoso enquadramento climático desta região …a Cidade e a sua laguna seriam amputadas da nota característica de uma panorâmica encantadora.

domingo, janeiro 18, 2009

2º prémio no II Ciclo de fotografia de Vouzela

Viva

Com esta fotografia ganhei o 2º prémio do II ciclo de fotografia de Vouzela que decorreu em paralelo com os percursos pedestres.
Na mesma galeria estão as restantes fotografias que enviei para concurso, sendo de destacar que a maior parte delas ficou nas 32 fotos que foram ao concurso final.
No primeiro lugar do mesmo concurso ficou o meu colega e amigo Pedro Prata com uma foto excelente. Podem ver as fotos premiadas no site da Câmara de Vouzela

Um bom ano de 2009
António Vieira



PR5-Caminho de São Miguel do Maro - Vouzela

sexta-feira, janeiro 02, 2009

Um bom ano de 2009

Viva,
Em primeiro lugar, desejo a todos um bom ano de 2009.
Estes últimos tempos não têm sido muito produtivos em relação a fotografias e aproveitei para revisitar lugares já conhecidos como a Cabreia onde tenho mais algumas fotografias de quedas de água, a Pateira e Aveiro à noite .
Também reformulei o meu site que me parece agora de mais fácil navegação.
Muito obrigado pela atenção dispensada e não se esqueçam de colocar os vossos comentários no About me.

António Vieira



Aveiro à Noite